Um dos critérios para definir o sucesso de uma inovação é a percepção desta inovação pelo cliente, que este mesmo cliente “compre” a nova idéia (literalmente), o que vai resultar em maior faturamento e maiores retornos.
A equação parece simples, mas não é.
A última edição da MIT Sloan Management Review traz um artigo que discute quais inovações realmente valem o esforço? Basta investir em pesquisa e desenvolvimento? O título do artigo é “Which Innovation Efforts Will Pay?” (edição Fall 2009).
O estudo da Booz & Co.
A matéria traz alguns números interessantes de uma pesquisa abrangente da consultoria Booz & Coo com base em pesquisa em empresas que representam 60% de todos os investimentos globais em R&D.
Algumas tem tentado “seguir a manada” e implementar uma “inovação aberta”. Muitas gastam quase todo orçamento em R&D fazendo benchmarking: elas verificam o que os concorrentes estão fazendo de melhor (best practices) e aplicam no seu negócio. Estas abordagens, de acordo com a pesquisa, gerou produtos com pouco ou nenhum retorno.
Você pode afimar. Bem, investimento em R&D traz este risco embutido! Precisa ser sempre assim? Não!
Primeiro porque o acionista pode não concordar com você (diretor financeiro idem). “Como vou investir e você não me garante o retorno do meu investimento?“. Aqui temos vários problemas, incluindo diferenças culturais e de aceitação de risco de cada país. Não vamos entrar nesta discussão (aconselho o estudo das “Dimensões Culturais” de Hofstede para o entendimento de como funciona cada cultura).
Segundo porque podemos aprender, ler, pesquisar e analisar dados como este da Booz & Co, verificar as melhores práticas e diminuirmos o risco (que sempre vai existir a partir do momento que você levanta da cama).
A Apple e a Indústria Automobilística
É um dos exemplos mais citados em todos os estudos, este não poderia ser diferente. A Apple investe cerca de 5,9% do faturamento das vendas em R&D. A média da indústria a qual ela faz parte é de 7,6%. Gostando ou não do Steve Jobs, você tem dúvida que ele e seu time vem criando produtos inovadores?
A japonesa Toyota investe menos em R&D dos que as grandes montadoras americanas e é líder mundial, case de inovação.
ROI2: Return on Innovation Investiment
A abordagem que os analista utilizaram para definir o ROI2 foi baseada em estudos conduzidos durante 7 anos em companhias das áreas de saúde, produtos de consumo e químicas.
ROI2 correlaciona diretamente com o crescimento orgânico das empresa e compara investimento em inovação com performance financeira da empresa.
Este é o tipo de matéria que o pessoal do financeiro iria adorar ter em mão mas, a não ser que eles sejam leitores da MIT Sloan Review, eles não devem conhecer este blog. Por enquanto fique tranquilo, ou então peça para os seus amigos do departamento de rede o bloqueio da URL do MIT para o pessoal de finanças
Conclusão
Os critérios de inovação devem ser poucos e todos os esforços devem ser concentrados nestes. O crescimento orgânico deve vir acompanhado de uma correlação positiva entre investimento em inovação/R&D e performance financeira da empresa.
Simples comparação do que os seus concorrentes estão fazendo e a tentativa de fazer um benchmarking não cria inovação para sua empresa. O contexto cultural da empresa, as competências individuais, e o mapa estratégico da sua concorrente não podem ser copiados.

