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Como Bush ajudou a desmontar a inovação em TI nos EUA

O ano era 1957, mais precisamente no dia 4 de Outubro.

O mundo todo, principalmente os EUA, tiveram uma surpresa ao saber que a antiga União das Repúblicas Soviéticas acabava de lançar com sucesso o 1o. satélite artificial, o Sputnik 1.

Estava dada a largada para a corrida espacial que durante décadas obrigou as duas maiores potências do mundo (EUA e URSS) a se superarem cada vez mais. Um dos  resultados benéficos desta “corrida” foi o grande conhecimento gerado e as invenções que formaram a base para alguns dos muitos avanços científicos atuais. Colhemos os frutos ainda hoje.

Nascimento da DARPA (antiga ARPA)

No ano seguinte, 1958, em resposta ao feito dos russos, os EUA criaram um centro de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia militar, a ARPA (Advanced Research Projects Agency). A agência mudou de nome algumas vezes e hoje é conhecida como DARPA (D é de Defense).

Se você estudou a teoria de como as atuais redes surgiram, certamente o termo ARPANET lhe é familiar. Se não é, saiba que a ARPANET foi a primeira rede de troca de dados em forma de pacotes (packet switching network) e foi criada exatamente na DARPA.

Ao lado a imagem dos primeiros 4 nós da rede ligando universidades da costa oeste dos EUA.

No dia 29 de Outubro de 1969, 40 anos atrás, às 10:39 da noite, o estudante Charley Kline da Universidade da Califórnia (UCLA), enviou a primeira mensagem pela nova rede: “login“.

Os caracteres “l” e “o” foram enviados com sucesso, o restante – “gin”, não. A rede caiu (crashed)! Ou seja, a primeira mensagem transmitida foi “lo”. E assim nasceu a rede que conhecemos hoje como Internet.

Na DARPA surgiram muitos outros projetos fundamentais para o desenvolvimento da tecnologia da informação. Querem outro exemplo? O primeiro sistema hypermedia, Aspen Movie Map, que nada mais é do que o “pai” da realidade virtual.

Por que a DARPA é fundamental para o avanço de TI?

Um dos pilares do desenvolvimento da alta tecnologia nos EUA vem do fato de que existe um investimento do governo. Sem nenhum viés ideológico, os interesses da iniciativa privada exigem projetos de prazo mais curto. O investimento precisa ter um retorno financeiro, o ROI deve ser planejado e acontecer no menor tempo possível. E não existe nada de errado com esta lógica.

Entretanto, algumas pesquisas e avanços científicos fundamentais para o desenvolvimento de outros produtos e serviços não seguem esta fórmula de retorno em prazo curto (menos de 5 anos). É por este e outros motivo que o governo americano investe, direta ou indiretamente, nas universidades.

Uma das fontes de investimento para pesquisas inovadoras era exatamente a DARPA, que mantinha convênios com universidades e “incubava” projetos com grande potencial de inovação mas que, à primeira vista, eram muito arriscado do ponto de visto de retorno financeiro ou levariam muito tempo para “se pagar”. Na minha opinião, este é um bom destino para o dinheiro do contribuinte (outros preferem transpor um rio centenário às vésperas de uma eleição).

…e veio George W. Bush

O que pensaram os falcões do governo Bush? Colocaram um burocrata, Tony Tether, no comando da agência com uma visão, digamos, “curta”. Vejam como o Sr. em questão pensou:

…ao invés de investimos em projetos de longo prazo que não trazem visibilidade para o governo, vou diminuir a verba da DARPA em 75% e destinar este recursos para projetos diretamente na iniciativa pivada…“.

É um “gênio” este senhor! Os cientistas da agência, entre os melhores do país, se transformaram em simples consultores de projetos liderados pela empresas privadas. Calma que tem mais. Os projetos precisavam dar resultado em 12, no máximo, 18 meses, do contrário seriam cancelados sumariamente.

Novamente, não cabe discussão político-ideológica. Use o bom senso e responda você mesmo: em que cenário toda uma sociedade vai lucrar com produção científica séria? AB (antes de Bush) ou DB (depois de Bush)?

Não há mal que dure para sempre…

De acordo com este artigo de David A. Patterson, o líder do projeto RISC, e publicado na Harvard Business Review, tudo indica que com uma nova diretoria, chefiada por Regina Dugan, a DARPA irá voltar a seu propósito original.

O simples fato de você está lendo este blog em um browser qualquer, em um desktop ou em um celular, com um texto que foi escrito em um computador da Apple que roda Mac OS X, hospedado em um servidor Linux em algum lugar do mundo, é resultado da pesquisa desenvolvida mais de 40 anos atrás em uma agência do governo americano.

Você consegue medir o ROI deste investimento?

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