Plataforma aberta: é bom ou ruim?
A resposta parece óbvia: claro que é excelente ter uma arquitetura que, em algum momento, possa ser aberta para a comunidade. Um grupo de desenvolvedores independentes e empresas de todos os tamanhos irão convergir e desenvolver soluções a partir desta plataforma aberta.
A questão não é tão simples quanto parece. Este “canto da sereia” traz alguns perigos para os marujos de primeira viagem.
O caso dos “Extras” do Skype
Utilizo Skype desde as primeiras versões e hoje é somente através dele que realizo chamadas de longa distância. No Mac OS X a qualidade de voz é impressionante (assim como no Windows).
Em 11 de Setembro de 2009 quando o Skype anunciou o fim dos “Skype Extras”, muitos desenvolvedores e empresas ficaram preocupados.
Já participei de várias discussões com empresas que desenvolveram sua estratégia e seus produtos em torno da plataforma “aberta” do Skype. Imagine que você é um deles, você ficaria preocupado sabendo que seu produto depende da decisão de uma empresa que nem conhece você? Complicado, correto? Não existe “Plano B” nestas situações.
Pode até ser que o Skype esteja “fechando para balanço”, e talvez preparando o lançamento de algo melhor, como sugere este post do Techcrunch.com: ”Skype Says Next Generation Platform will Embrace Developers”.
A questão é: que mensagem a companhia passa quando informa que está descontinuando uma funcionalidade que permite integrar soluções de terceiros?
A API do Skype é free, bem documentada e, melhor, funciona muito bem. Adicionalmente não existem barreiras de entrada para começar a desenvolver, como mostra esta avaliação do Saunderslog.com. Isto sinaliza que a empresa está convidando uma imensa comunidade para se integrar e, de forma colaborativa, desenvolver produtos e serviços em que os dois lados ganham. É isto que o Google está tentando fazer com seu “Android”, foi isto que fizeram o Twitter, o Facebook, a Amazon etc.
Seria importante termos uma mensagem clara sobre as perspectivas (boas ou más) de desenvolvermos para esta excelente plataforma de comunicação.
O Caso do LinkedIn
Depois de mais de 2 anos do anúncio de que iria disponibilizar uma plataforma para terceiros, a exemplo do Facebook, Twitter etc, o LinkedIn anunciou nesta Segunda, 23/Nov, a sua “LinkedIn Developer Network“.
Excelente notícia certo? Quantas aplicações, corporativas ou não, redes sociais etc, poderão se beneficiar desta integração. As possibilidades são enormes.
Vejamos porém uma análise feita por Marshall KirkPatrick, do ReadWriteWeb e publicada no NYTimes.com.
De acordo com ele, a boa notícia é que…
- Não existe barreira de entrada. Ou seja, nada de taxas para pagar ou processo burocráticos… ….é obter a API Key e começar a desenvolver
- A API permite pesquisa. Você tem um contato, um e-mail e “bingo”, será possível fazer uma pesquisa na base do LinkedIn e localizar os dados profissionais do seu contato
- A API utiliza o OAuth, um protocolo aberto que disponibiliza um processo simples de autorização e, mais importante, padrão tanto para aplicações “desktops” como Web
… e as “bad news” são:
- Certamente irão iniciar as integrações com o Twitter. Concordo com o autor. Mensagens e comentários feitos no LinkedIn não tem o mesmo objetivo. O LinkedIn é para contatos e assuntos profissionais, o Twitter, bem o Twitter….
- Segundo o autor os termos do contrato ainda não estão claros. Exemplo: você não pode desenvolver nada que concorra com o LinkedIn…??? Complicado não?
- Tudo indica que o LinkedIn definiu seu próprio “Active Stream”, sinalizando que não seguirá o “padrão” utilizado pelo Facebook, MySpace, Netflix. Microformats?
E a Apple?
Existem outro excelente exemplo que é a SDK para desenvolvimento de aplicação para iPhone/iPod.
Este daria uma tese completa. É preciso receber a benção da Apple e, convenhamos, mesmo eu sendo um usuário e admirador, o processo de aprovação de uma aplicação não é, digamos, transparente.
(Aliás, o terrorismo que a empresa do Mr. Steve Jobs faz em relação a segredos de desenvolvimento é algo inimaginável. Você sabia que as equipes de hardware e de software trabalham separadas? O conceito é semelhante a “células”, como os grupos terroristas. Parecem que esta estratégia, contra todos os manuais da gerência moderna, vem funcionando muito bem.)
Um artigo interessante, que defende a posição radical da Apple em relação ao seu SDK está em “Why Apple plays God with the iPhone SDK“. Outra excelente análise vem novamente Techcrunch.com, de Maio/2008: “iPhone SDK And Restrictions – Some of the Details are’nt Great“.
Bom, se fosse simples não seria a Apple, certo?

