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Google App agora com backup nas “nuvens”

Empresas como Motorola (unidade de celulares), Capgemini, SalesForce, já estão utilizando a suite de  aplicativos Google App.

Quais as reais motivações que levaram cada uma destas grandes empresas a confiar suas mensagens, documentos, planilhas, apresentações, milhares e milhares de informações confidenciais… …à “nuvem” do Google?

Tudo bem que US$ 50/ano/funcionário é um grande motivador, e todos sabemos qual foi o voto do VP de finanças quando perguntado se ele concorda com a adoção do Google App. Ter também 25 GB de espaço de e-mail de cada funcionário, com backup incluido neste preço, é um “luxo” que poucas empresas podem oferecer hoje em dia (a US$ 50/ano/funcionário?).

Imagine um custo de uma unidade mundial da Motorola com dezenas, talvez centenas de servidores Microsoft Exchange, técnicos e analistas de suporte 24×7, espaço e energia em data-centers, unidades de backup, atualização de softwares, licenças anuais etc etc. Não é preciso fazer nenhuma conta para ter certeza que US$ 50/ano/funcionário é uma fração do que eles gastavam, apenas para manter esta infra-estrutura gigantesca e garantir a entrega de e-mails.

Disaster Recovery in the Cloud, by Google

Em um anúncio (04/Março/2010), o Google informa como funciona a “replicação síncrona” em caso de qualquer desastre. O “restore” seria não apenas dos e-mails, mas também das informações no Google Calendar, Google Docs, e Google Sites.

E aqui uma informação sobre como mensurar se  a solução de disaster recovery é adequada? De acordo com Rajen Sheth, Senior Product Manager do Google Apps, existem 2 (dois) indicadores básicos:

RPO indica quanto de informação você está disposto a perder quando uma catástrofe ocorre (e convenhamos nestes últimos meses, desastres estão cada vez mais frequentes).

RTO é quanto tempo você está disposto a esperar até que o processo de restore finalize e os funcionários possam voltar a seus postos.

Com uma solução destas nas “nuvens” uma das vantagens é que o RPO=zero.

Existem muitas outras variáveis que você deve avaliar antes de disponibilizar e confiar todas as informações de sua empresa nas nuvens mas, certamente, um cenário de disaster recovery como este descrito acima, deve pesar na decisão pró “nuvem”.

Documentos do Microsoft Office na nuvem do Google: Aquisição da DocVerse

Em 2007 dois ex-engenheiros da Microsoft fundaram uma start up para desenvolver um plug-in que seria adicionado ao Office da toda-poderosa de Redmond. O objetivo do plug-in é permitir um processo de colaboração na “nuvem”.

O que o Google fez na Sexta, 05/Mar? Assinou um cheque de US$ 25 milhões e adquiriu a DocVerse. Isto é alinhamento estratégico. Veja porque: MS Office tem, aproximadamente, 600 milhões de usuários no mundo; como facilitar ao máximo migração de parte destes usuários para a suite do Google? Disponibilizando um plug-in para sincronizar todos os documentos do Office para sua “nuvem”. Entenderam?

(nota: ainda não está claro se o plug-in da DocVerse será distribuido gratuitamente; minha aposta é que sim!).

Um dia antes, Steve Balmmer, CEO da arqui-rival conseguiu a proeza de não apresentar nenhuma novidade no assunto “Cloud Computing” em um evento na universidade de Washington (confira os detalhes neste post de uma das analistas mais atualizada em assuntos da Microsoft, Mary-Jo Foley/ZDNet.com).

Nas palavras do CEO e fundador da  DocVerse, Shan Sinha, a Microsoft não está mesmo se movimentando rápido em direção à computação nas nuvens:

“We recognized this trend was happening, It’s one of the reasons we left Microsoft to start DocVerse. Getting to the cloud means there’s going to be a large number of people who are starting from software that’s 20 years old. [Our concern] was how best do we bring people into the cloud? When we think about Google, what see see is the company that’s really starting to define, and has defined, how cloud-based applications should work.”

Veja que a opinião é de um ex-funcionário da Microsoft.

Sincronização com o Outlook

Para quem ainda não conhecia, segue o anúncio da funcionalidade de sincronismo do MS Outlook com o Google App (Junho/2009):

(atualizada às 19:52 para inclusão de informações)

O que é Google realmente quer com o seu Chrome OS?

O Google quer ou não quer dominar o mercado de sistemas operacionais?.

Um argumento contra é que se ele desejasse mesmo dominar este mercado, por exemplo, os engenheiros do Chrome OS teriam se preocupado com o mundo corporativo, que representa uma enorme parcela de usuários dos desktops/notebooks. Não tire suas conclusões agora. Veja o restante do texto.

O Chrome OS deverá ser lançado no segundo semestre de 2010, mas a agitação já começou desde o anúncio no meio deste ano de 2009. O equipamentos-alvo são os, cada vez mais populares, NetBooks, com processadores de baixo consumo de energia.

Tudo foi calculado para que este seja, de fato, o 1o. sistema operacional da era da “Cloud Computing”, em que o browser será o próprio sistema operacional.

A algum tempo já não dependo de muitos softwares presentes no meu iMac. Planilha eletrônica, processador de texto, agenda, calendário e todas as centenas de aplicações que a Web 2.0 trouxe.

Para completar, uma solução em que posso agregar meu documentos, notas, links sobre um determinado assunto: o Google Wave. Simplesmente fantástico. Hoje eu defino os assuntos do meu interesse, agrupo as minhas notas, PDFs, artigos, apresentações, vídeos etc, em “waves” no Google Wave. Desta forma, eu posso dar continuidade nas minhas pesquisas e trabalhos de qualquer lugar onde tenha um acesso a Internet.

Então, qual o propósito do Chrome OS?

Este artigo de Vijay Pandurangan dá uma pista da estratégia por trás do lançamento de um sistema operacional sem custo direto, 100% baseado na Web: a criação de melhores aplicações Web, 100% compatíveis com o HTML-5. Quem afirma isto é um ex-funcionário do Google, que trabalhou lá por 6 anos. Algum crédito ele tem.

A conclusão parece óbvia, de tão simples que é. Mas vamos tentar pensar estrategicamente.

Aqui vão meus R$ 0,10 de contribuição para esta discussão:

- Qual a missão do Google? Já escrevi isto é um post anterior (“SPDY (by Google) é o novo HTTP?“): Organizar toda a informação do mundo.

- A informação não pode estar nos “silos individuais” de informação que são nossos desktops, notebooks, netbooks e até mesmo celulares (lembram da estratégia de “dados nas nuvens” do Motorola Cliq?)

- A informação precisa – e acho que boa parte dela vai – “migrar” para a “nuvem”. As empresas que entenderam isto estão se dando bem (vide “Cloud na Amazon: US$ 220 Milhões/ano“)

- Quer outro exemplo: a Motorola acabou com todas as centenas de servidores Microsoft Exchange que ela utiliza no mundo inteiro. Os empregados chegaram pela manhã e o seu e-mail @motorola tinha sido migrado para o GMail! Veja porque tudo indica que Sanjay Jha vai mesmo revulocionar a Motorola (“A virada da Motorola(?) Qual foi o segredo?“)

- A estratégia do Google pode ter sido então: “vamos criar um ambiente livre, onde a dependência das ‘aplicações desktop’, que exigem um cliente em cada desktop, seja cada vez menor…

- Qual a melhor forma de atingir este objetivo? R- “Que tal um sistema operacional livre, leve, baseado em algo já estável e conhecido – Linux -, que forme uma imensa comunidade de desenvolvedores que irão construir ou migrar aplicações para este sistema operacional?

Isto, meu caro leitor, chama-se “Alinhamento Estratégico“. Leia novamente a missão do Google acima e veja como as ações são coerentes, alinhadas, não apenas esta do Chrome OS, mas de todas as soluções que eles desenvolvem.

E a Microsoft?

A Microsoft certamente vai se movimentar. Apesar de quase sempre chegar com algum atraso e de pouco contribuir com inovações, analistas de mercado já afirmam que o seu “Windows 7″ é o último “big bang” da gigante de Redmond. Espero mesmo que seja, e vejam como eles evoluiram. Diferente do “Windows Vista”, o Windows 7 é muito superior do que seus antecessores.

O ponto é: quando este momento chegar, qual empresa estará mais madura e apta a dominar o mercado de SOs? Vai fazer diferença qual sistema operacional você vai utilizar se grande parte das aplicações que utilizamos no dia-a-dia estarão na Web? Você vai pagar por uma caixinha com um DVD que vai instalar um browser no seu computador pessoal?

Abcs!

A virada da Motorola(?) Qual foi o segredo?

O ano era 2008 quando Sanjay Jha, vindo de uma carreira meteórica na Qualcomm, fez a sua primeira apresentação para os funcionários da Motorola. Ele acabava de ser contratado como o novo CEO e uma das suas missões era salvar da Motorola do mesmo fim que levou a Nortel, Lucent etc.

Na sessão de perguntas, ouviu de um funcionário:

- “Por que deveríamos confiar em você?

Sua lua-de-mel na nova empresa foi curta.

(foto: Associated Press)

Um dos grandes erros da Motorola foi ter inovado com os modelos StarTac e Razr e parado por aí. Confiou nos seus produtos de sucessos. Esqueceu que toda inovação é passageira.

Os concorrentes ou escolheram o caminho de ter modelos simples, com interfaces idem, gerando um volume de vendas fenomenal, como a Nokia, ou foram altamente inovadoras, como mostrou a Apple com seu iPhone e o Google com seu sistema operacional Android com muitos serviços na “nuvem”.

Se a Motorola não tivesse um bom desempenho no natal daquele ano, tudo indicava que seria o fim da sua unidade móvel.

A estrutura explica parte dos erros

moto-estrut

Até então a Motorola, vinha utilizando a forma “clássica”, tinha estrutura verticais para sua linha de dispositivos móveis. Ou seja, havia executivos responsáveis por determinados modelos (vide figura ao lado).

O que isto gera? Simples, entre outros conflitos de interesse, cada executivo vai defender seu produto e insistir em melhorias em celulares que, por definição, terão sempre vida curta. É óbvio, ele precisa sobreviver e manter seu grupo empregado. Como admitir para o CEO e para os pares que a sua linha de produtos precisava ser extinta? Seria um atestado de incompetência!

Quando Sanjay Jha chegou na Motorola havia 22 linhas de produtos, com vários sistemas operacionais. Ele olhou e mercado e viu o líder, Nokia, estruturar seus celulares e smatrphones  em torno de um único sistema operacional – o Symbian (também utilizado pela Motorola!), a própria Apple só tem um aparelho que evolui apenas em torno de novas funcionalidades e se torna cada vez mais desejado, sem falar que ele é uma plataforma de desenvolvimento que também gera lucros para a empresa de Steve Jobs.

Já trabalhei no desenvolvimento de sistemas embarcados. Quem conhece vai entender o quanto custa ter que manter várias plataformas de sistemas operacionais: alto custo de manutenção, formação de equipes altamente especializadas (caras), os testes de liberação final (GAs) duram uma eternidade, problemas de “compatibilidade para trás” cada vez que uma versão é lançada, imensa estrutura de pós-venda etc etc.

O sinal parecia claro. Ele chamou para a mesa (um de cada vez), a Microsoft e o Google. A Microsoft avisou que um novo release do seu Windows Mobile iria atrasar bastante. Sanjay apostou todas as fichas no Google Android. Isto é o que chamamos de “foco”.

O início

Uma das primeiras ações de Sanjay Jha fez foi reunir os top executivos das 15 divisões da Motorole e pedir:

- Por favor, me digam o que vocês acham que está errado com a empresa. Quero apenas 2 slides de cada um de vocês

E Jha gosta de analisar slides. Ele faz questão de ler com detalhes os slides do apresentador, antes da reunião. Talvez fazendo o que os gestores deveriam fazer: “qual é, de fato, o verdadeiro problema aqui? Qual é a questão? Qual a causa-raiz deste problema?”. É preciso tempo, ou muita experiência, para ser chegar nas respostas à estas questões. Não se faz isto durante 50 minutos de uma apresentação.

“O problema não era a cultura de engenheiros”

Foi isto que Sanjay Jha conclui em pouco tempo. O real problema é que a Motorola não estava “conectando” seus engenheiros com o mercado, tentando conhecer o desejo real dos consumidores. Eles estavam em outra realidade.

A Motorola estava desenvolvendo telefones móveis, enquanto os consumidores queriam um pouco de tudo em seus aparelhos (vide iPhone). Falar era apenas um detalhe.

A causa-raiz, detectou Jha, era uma questão de (má) gerenciamento.

A Mudança

No 13o. dia na Motorola, Sanjay teve uma reunião com a maior operadora móvel do mundo, a Vodafone. Na mesa de discussão estavam três linhas de produtos da Motorola. O executivo da Vodafone perguntou para o CEO da fabricante de celulares:

- Caramba. Você pode escolher um destes modelos de aparelhos e me convencer por que eu deveria compra-lo?

Era outro sinal claro que alguma mudança precisava ser implementada, urgente. E ele não fez nenhum milagre, nem inventou a roda. Ele fez o que muitas empresas de tecnologia, como a Cisco, fazem:

  • Criou grupos centrais de engenheiros, marketing, gerência de produto e planejamento de estratégico de longo prazo, e fez esta turma conversarem entre si
  • E quem arbitra em  caso de divergência? Como a Cisco fez, criou um conselho, onde esta turma “lava a roupa suja” e chegam um acordo (para o bem de todos, é melhor que cheguem a um consenso, afinal qual a alternativa…?)

Resultados so far

moto-stock Bom, um das maiores operadora dos EUA, Verizon, já está comercializando o Droid Smartphone, e a gigante T-Mobile o Motorola Cliq. O vice-presidente de desenvolvimento de produtos da T-Mobile, Paul E. Cole, afirmou:

- Hoje a Motorola é um lugar completamente diferente de poucos anos atrás. Sanjay Jah tem feito um trabalho espetacular

O resultado do 3o. quarter de 2009 também foi comparativamente animador: lucro de US$ 12 M, bem diferente do prejuizo de uS$ 397 M de 1 ano atrás. O comportamento da ação está no gráfico ao lado (fonte: Nasdaq.com, fechamento do pregão de 30/out/2009). O valor da ação está no mesmo nível de Abril/2009, pré-crise financeira mundial. Ou seja, o mercado está reagindo bem em relação às mudanças.

Como nasceu o Motorola Droid e uma reunião às 18:00

Voltando a Agosto/2008, assim que Sanjay desceu da plataforma daquela sua primeira reunião com os funcionários onde foi duramente questionado, um engenheiro da empresa, Rick Osterlah, abordou o novo CEO e falou:

- Mr. Jah, já estamos trabalhando em um projeto tendo o Google Android como o novo sistema operacional

No final da mesma semana, Rick Osterlah estava no jatinho com Sanjay voando para a unidade da Motorola na Califórnia. Mr. Jah queria ver todos os detalhes pessoalmente. Poucos dias depois ele estava participando de uma reunião com todo o grupo de Rick e, não apenas pediu e revisou todos os 100 slides com antecendência, como fez perguntas detalhadas durante a apresentação e pediu que o time produzisse mais 20 slides (tive um chefe que não suporta ler nem um slide).

A apresentação foi agendada por Sanjay para iniciar às 18:00. Um “pecado mortal” para uma empresa que trabalha das 09:00 às 17:00 (já trabalhei em uma empresa similar nos EUA e a cultura é a mesma, idêntica até na jornada de trabalho).

- Reunião de 4 horas iniciando às 06:00 da noite?

“Parece mesmo que as coisas vão ser diferentes de agora em diante”, devem ter pensado os engenheiros.