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O Crescimento do NFC (Near Field Communication) até 2014

nfcforecast(fonte: Juniper Research)

Alguns meses atrás tratamos do potencial do mercado de mobile payment (vide “Pagamento Móvel vai Decolar?“, Parte I e Parte II e “Mobile Money e o Impacto no PIB“). Um whitepaper da Juniper Research, especializada em tendências do universo de telecomunicações, mostra o potencial deste mercado.

O mercado mundial foi dividido em 8 (oito) grandes grupos (vide gráfico acima) e, para cada um destes grupos, a estimativa de crescimento (em US$ milhões).

As “ondas” do NFC

De acordo com a pesquisa, a 1a. “onda” do NFC irá se concentrar em oferecer um meio de pagamento seguro e prático para o transporte público em áreas urbanas. Vários países europeus já testaram esta tecnologia (Espanha, França são exemplos). O sistema público de transporte de Paris, França, já comunicou que, até o final de 2010, terá uma solução onde seu celular ou qualquer outro dispositivo “NFC enabled” poderá ser utilizado como meio de pagamento.

O processo de aceitação desta forma de micro-pagamento deve evoluir, de acordo com os pesquisadores, e ser aceito como forma de pagamento para compra de souvenirs, em vendor machines e (atenção pessoal de marketing), em programas de fidelidade como forma de recompensa.

O Ticket Médio

O valor médio da transação ainda é baixo: US$ 25 nos EUA, 20 Euros na Europa ocidental, 10 libras na Inglaterra. O NFC vem exatamente para ser uma alternativa para pequenos gastos.

Por volta de 2012 o volume de transações mundiais deve chegar a US$ 30 bilhões.

Por que isto interessa tanto às operadoras. Por vários motivos, o principal talvez seja o aumento no ARPU (Average Revenue per Unit), ou média de gastos por cliente, que é um dos melhores indicativos da capacidade de geração de receita de uma empresa de telecomunicação.

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Wal-Mart Telecom

wal-martcoverage_map

(fonte: Great coverage)

O mapa acima mosta a cobertura do serviço de telefonia celular Straight Talk lançado pelo Wal-Mart nos Estados Unidos. A rede de telefonia utilizada é da operadora Verizon (uma das maiores dos EUA).

Você vai no supermercado Wal-mart, ou pela Web, e contrata o serviço. Vejam os preços:

  • Por R$ 52,00 (US$ 30) você tem 1,000 minutos para fazer ligações locais ou de longa distância, 1,000 SMS e mais 30 MB para nagevar na Internet (banda larga da operadora móvel)
  • Por R$ 78,75 (US$ 45) você tem um plano sem limites: ligações locais ou longa distância, SMS, Internet…

Interessante? Lembrou da conta da sua operadora?

Agora você entende porque o governo brasileiro arrecada R$ 15,5 bilhões/ano do serviço de telefonia móvel e as operadoras tem lucro operacional menor que 10% deste total (R$ 1,4 bilhão)? É disparada, a maior carga tributária do mundo.

Por que este blog discute este assunto? Simples, parte deste valor que vai para o governo poderia ser revertida para o barateamento das tarifas e para a geração de novos produtos e serviços como este que uma rede de supermercado americano acabou de lançar. E o que sobra para investimento em inovação? Em tecnologia para permitir tarifas menores, melhor atendimento e produtos de telefonia inovadores como as do exemplo acima?

Qual a lógica de desenvolver um negócio em que o Lucro Operacional gerado é 1/10 do Imposto que o governo leva? Qual o incentivo para o empreendedor? Como formentar a  concorrência em um mercado que se consolida cada vez mais? Quem sai ganhando quando tivermos apenas 3 ou 4 operadoras de telefonia móvel? Nós consumidores? Responda você mesmo…

Não existe nada de errado no lucro e na existência das grande corporações. A questão é que o governo deveria criar condições para o surgimento de novas empresas, aumentando a concorrência e beneficiando uma parcela bem maior da população.

Finlândia torna banda larga em direito do cidadão

Guardando todas as diferenças, não custa ver outro exemplo que vem da Finlândia. Este país será o primeiro no mundo a transformar o acesso a banda larga um direito do cidadão, garantido por lei.

  • Em Julho de 2010,  todos os 5,3 milhões de habitantes terão direito a acesso em velocidade de pelo menos 1 Mbps
  • A meta será o primeiro passo para disponibilizar acesso de 100 Mbps para toda população até 2015

Já sabemos que existe um estudo na Casa Civil sobre um plano para universalizar o acesso a banda larga. A intenção é excelente mas, adivinhem onde a discusão está emperrada? O ministro das Telecomunicações (Hélio Costa) defende os investimentos do setor privado; o secretário de TI do ministério de Planejamento (Rogério Santanna) afirma que o governo pode implementar por conta própria. Certo…

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Mobile Money e o Impacto no PIB

Como já comentei em posts anteriores (“Pagamento móvel vai decolar?”, parte I e parte II), as possibilidades do pagamento móvel ou “mobile money” são enormes.

Cerca de 2 anos atrás eu li uma reportagem de um exemplo de como o SMS (Short Message Service) ajuda na transferência de valores em aldeias na África. Funciona assim:

- Jovens saem de suas aldeias e se dirigem para cidades médias e grandes centros em busca de trabalho e educação

- Com parte da renda que eles obtêm nas cidades é enviada de volta para sua família que ficou no interior

- Na aldeia de origem, por vezes, não existe sequer energia elétrica, banco então, nem pensar. Como resolveram o problema?

- Bem, mesmo nos lugares mais longíquos, existe rede de celular. Algumas poucas pessoas, em geral pequenos comerciantes, tem acesso a serviço móvel utilizando aparelhos de celular muito simples

- Os jovens transferem créditos ($) de seus celulares pré-pagos para os celulares, também pré-pagos, dos comerciantes que moram nas aldeias de seus pais

- A família faz compra de alimentos nestas pequenas lojas e o comerciante faz o débito do valor dos bens adquiridos dos créditos enviado pelos filhos. O comerciante ganha um percentual, que também é debitado do valor dos créditos recebido via SMS

O Impacto no PIB

A novidade agora é um estudo do Banco Mundial que mediu o impacto que 10 celulares a mais a cada 100 habitantes: PIB tem um incremento de 0,8 pontos percentuais (8%!)Pode parecer pouco, mas não é!

Hoje temos mais de 4 bilhões de celulares no mundo, 75% destes em países desenvolvidos. No Quênia, por exemplo, um país pobre da África sub-sahariana, tem 38 milhões de habitantes e 18,3 milhões de celulares, ou 40% da população.

Um outro exemplo, muito parecido com o que citei acima, está descrito em uma reportagem de hoje na “The Economist“. O texto detalha o sistema M-PESA, lançado em 2007 pela Safaricom, do Quênia e que já tem 7 milhões de usuários.

A propósito a mesma “The Economist” publicou uma repostagem especial “Mobile marvels” que trata do benefício que países pobres e emergentes (como Brasil e Índia) estão se beneficiando com o crescimento da base de usuários de telefonia móvel.

Veja no gráfico abaixo o quanto a quantidade de usuários cresceu em apenas um ano nos países emergentes:

(fonte: The Economist)

Um estudo do Banco Mundial

Tive acesso a um excelente relatório do Banco Mundial, datado de Junho/2008, com muitos dados e informações sobre o impacto da telefonia celular na redução da pobreza no campo. Se você se interessa pelo assunto, recomendo a leitura.

Deste estudo vou apresentar apenas um gráfico que demonstra como está correlacionado positivamente o PIB per capita e a área de cobertura da telefonia celular (no caso GSM), na América Latina:

pibgsm.png
(fonte: Banco Mundial, 2008)
A propósito, recebi esta semana a edição no.76 da HSM Management e a reportagem de capa é “A Era Mobile”. Leitura mais do que recomendada. Abraços!
(atualizado às 00:50 AM de 25/09/2009 para inclusão do relatório do Banco Mundial e o link da HSM no.76)
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