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Com vocês, Java EE 6… …e a Oracle? (silêncio)

javalogoV6 Com a aprovação da especificação Java EE na semana passada, a Sun acaba de anunciar a liberação da versão 6 da sua plataforma Java. É o resultado de um trabalho de 3 anos, com forte apelo na redução do volume de código a ser escrito, além de um conjunto de novas funcionalidades  já iniciadas na versão anterior.

RESTful Web services, dependency injection (JSR-330) e annotations para Servlets são algumas das novas funcionalidades que irão facilitar a vida dos milhões de desenvolvedores Java no mundo (embora alguns não concordem, menos código = mais qualidade de vida).

No artigo que apresenta uma introdução à versão 6, Ed Ort lista os principais objetivos desta nova versão:

More Flexible Technology Stack. Over time, the Java EE platform has gotten big, in some cases too big for certain types of applications. To remedy this, Java EE 6 introduces the concept of profiles, configurations of the Java EE platform that are designed for specific classes of applications. A profile may include a subset of Java EE platform technologies, additional technologies that have gone through the Java Community Process, but are not part of the Java EE platform, or both. Java EE 6 introduces the first of these profiles, the Web Profile, a subset of the Java EE platform designed for web application development. The Web Profile includes only those technologies needed by most web application developers, and does not include the enterprise technologies that these developers typically don’t need.
In addition, the Java EE 6 platform has identified a number of technologies as candidates for pruning. These candidates include technologies that have been superseded by newer technologies or technologies that are not widely deployed. Pruning a technology means that it can become an optional component in the next release of the platform rather than a required component.
More extensibility points and service provider interfaces as well as web tier features such as support for self-registration makes the platform highly extensible.
Enhanced Extensibility. Over time, new technologies become available that are of interest to web or enterprise application developers. Rather than adding these technologies to the platform — and growing the platform without bounds — Java EE 6 includes more extensibility points and more service provider interfaces than ever before. This allows you to plug in technologies — even frameworks — in your Java EE 6 implementations in a standard way. Once plugged in, these technologies are just as easy to use as the facilities that are built into the Java EE 6 platform.
Particular emphasis on extensibility has been placed on the web tier. Web application developers often use third-party frameworks in their applications. However, registering these frameworks so that they can be used in Java EE web applications can be complicated, often requiring developers to add to or edit large and complex XML deployment descriptor files. Java EE 6 enables these frameworks to self-register, making it easy to incorporate and configure them in an application.
Usability improvements in many areas of the platform makes it even easier to develop web and enterprise applications.
Further Ease of Development. Java EE 5 made it significantly easier to develop web and enterprise applications. For instance, Java EE 5 introduced a simpler enterprise application programming model based on Plain Old Java Objects (POJOs) and annotations, and eliminated the need for XML deployment descriptors. In addition, Enterprise JavaBeans (EJB) technology was streamlined, requiring fewer classes and interfaces and offering a simpler approach to object-relational mapping by taking advantage of the Java Persistence API (informally referred to as JPA).

- Uma “Stack” com mais flexibilidade: em português claro, ele diz o que já sabíamos. Java EE ficou pesada, com uma complexidade desnecessária para algumas aplicações. Foi necessário então flexibilizar um pouco a plataforma e a Sun (JCP) decidiu introduzir o conceito de “profiles“. “Profiles” definem um conjunto de funcionalidades mínimas, na imensidão que se tornou Java EE, e liberam este conjunto para aplicações mais específicas. O primeiro “profile” liberado foi o “Web Profile“. Outros virão… …Vale lembrar que isto já foi tentado com o J2ME e não tiveram muito sucesso. Desta vez eu acho que vão acertar.

- Enhanced Extensibility. Com muito atraso, na minha opinião, a Sun percebeu a importância das extensões que enriquecem e trazem inovação à sua plataforma de desenvolvimento. O contexto muito fechado do JCP, por um lado mantém um padrão na linguagem e funcionalidades mas, em um trade-off inevitável, não permite que muitas inovações enriqueçam a plataforma. De acordo com Ed Ort Java EE 6 inclui mais “pontos de extensibilidade” de forma a acomodar mais facilmente outros frameworks. É ver para crer.

- Facilidade no processo de desenvolvimento. Já citado acima. O Java EE 5 já tinha feito muitos progressos na tentativa de facilitar a vida do desenvolvedor. Alguns exemplos são as annotations e simplificação no desenvolvimento de Enterprise JavaBeans (EJB), com um menor número de classes e interfaces. Particularmente isto trouxe muitos benefícios na utilização da Java Persistence API (JPA). Além da padronização das annotations para dependency injection, o processo de deployment também foi muito simplificado. Você pode adicionar um enterprise bean diretamente em um WAR, sem precisar empacota-lo em um JAR, e este em um EAR. Demorou!

Não quero fazer uma análise da nova versão do Java EE. Recomendo a leitura deste artigo da InfoQ e uma análise detalhada do ServerSide.com.

E a Oracle?

Como sempre, eu estou convicto que as questões técnicas são importantes, mas o contexto, às vezes faz toda diferença. A pergunta de US$ 7,4 bilhões (valor pago pela Oracle pelo controle da Sun), é: “E a Oracle nisto tudo? Qual será o impacto da aquisição no processo de desenvolvimento do Java?”.

Particularmente, não vejo como a compra pela Oracle possa atrapalhar alguma coisa nos planos da Sun. Java é uma plataforma consolidade e a Oracle, agora mais do que ninguém, quer que a linguagem se consolide mais ainda. A abordagem que parece que está sendo adotada, na minha modesta opinião está corretíssima: “Vamos simplificar!

By the way, lembrem-se que a União Européia continua embargando a fusão. E ela (Oracle) resolveu apelar para seus clientes europeus:

- (Safra Catz, presidente da Oracle) “Ericsson, Vodafone, banco BBVA, vocês podem ir comigo na audiência da comissão européia e me ajudar a convencer aqueles senhores que a compra da Sun é importante e não representa perigo para o mercado”

- (Ericsson, Vodafone, BBVA e mais 5 grandes clientes europeus) “Claro Mrs. Catz, iremos com prazer. Pode contar conosco!”

A coisa está complicada e a Oracle vai precisar de toda ajuda possível. Até o representante do departamento de justiça dos EUA acompanhou a presidente da gigante americana, ajudando-a na defesa. Mais detalhes em “Preocupação no Iate do CEO da Oracle“.

É melhor que a S. Catz traga uma boa notícia para o Sr. Lawrence J. Ellison. Ele, como todo mortal, merece um final de semana tranquilo no seu iate.

Mesmo sem um barco daqueles, bom final de semana a todos!

Davi


Category: JavaEE, Oracle, SUN | Tags:

Preocupação no Iate do CEO da Oracle

risingsun
(imagem cortesia do site MonacoYey.com)

O CEO da Oracle, Lawrence J. Ellison tem um iate cujo nome é “Rising Sun”. Não tem nenhuma relação com a empresa que ele comprou, a Sun Microsystems. O pequeno brinquedo do Mr. Ellison tem apenas 138 metros (vide foto acima, ancorado na costa francesa), e é neste barquinho que deve ter se ocorrido o diálogo abaixo:

[L.Ellison] – (falando para seus diretores) Vocês viram que a comissão antitruste da união européia quer barrar a compra da Sun?

[L.Ellison] – (continua…) Um absurdo! Tudo porque eles acham que, como somos os líderes no mercado de banco de dados, vamos descontinuar o banco de dados open-source da Sun, o MySQL… …Absurdo! Quem aqueles velhinhos europeus pensam que são?!

[L.Ellison] – (continua…) Paguei US$ 7,4 bilhões pela Sun, a comissão dos EUA já aprovou o negócio e agora vem estes representantes do velho mundo e não concordam…

[L.Ellison] – (pega seu copo de whisky, sai para pegar um pouco da brisa marítima e volta, gritando) Onde vocês estavam que deixaram isto acontecer?

O diálogo monólogo acima é fictício (apesar de poder ter facilmente ocorrido), mas ilustra um aspecto importante que muitos gestores esquecem: a cultura pode fazer faz toda diferença e foi o que pesou na decisão européia.

“É a cultura, estúpido!”

A famosa frase “It’s the economy, stupid!” foi utilizada pelo “marketeiro” do ex-presidente B.Clinton, James Carville, para convencer o povo americano a votar a favor de Clinton e tirar o partido do Bush (pai) da presidência dos EUA. Deu certo.

Da mesma forma, a única forma dos diretores da Oracle explicarem para o chefe o que levou a decisão da Europa barrar o processo de compra: “É a cultura, estúpido!”

Foi exatamente o que fez este excelente artigo do NYTimes.com.  A forma como o velho mundo pensa, a sua cultura de baixo risco, tudo isto são aspectos que explicam uma certa “birra” que leva a União Européia a barrar tantos negócios das megacorporações de software americanas. Os exemplos são a Intel e os casos recorrentes da Microsoft .

Como a Europa enxerga o mundo open-source?

Como uma tábua de salvação de sua indústria de software contra a dominação das gigantes americanas (exceção honrosa à alemã SAP).

Os europeus valorizam, muito mais do que os americanos, a competitividade que os produtos open-source trazem para o mercado. E mais, eles (europeus) são muito conservadores, menos avesso a riscos que os americanos (vide Hofstede e suas dimensões culturais).

Por conta disto, enquanto a comisão americana aprovou rapidamente o negócio da Oracle com a Sun, porque não existe nenhuma evidência que a empresa de Ellison vá descontinuar o MySQL, a comissão européia atua de forma preventiva: “pode ser que ocorra ou não, na dúvida, vamos barrar o processo”, pensaram os europeus.

Sem entender esta variável fica mais difícil explicar a recusa dos europeus em dar a “luz verde” na aquisição da Sun.

Qual a mensagem afinal?

Precisamos enxergar além dos nossos bits&bytes para entender o que ocorre em qualquer movimento de fusão, aquisição, consolidação do mercado.

A mensagem que eu quero passar é que se não entendermos este aspecto cultural, não vamos compreender certas atitudes das empresas onde trabalhamos ou negociamos. O caso da Oracle serve apenas para ilustrar o peso da cultura nas decisões estratégicas. Será que a Oracle avaliou esta variável antes de comprar a Sun?

Todo movimento de consolidação, fusão ou aquisição (vide Itau-Unibanco, Oi-BrT, Sadia-Perdigão, Banco do Brasil-Nossa Caixa etc), passa por uma grande discussão sobre arquitetura dos sistemas, como eles serão integrados.

Você como gestor de TI, analista de integração, arquiteto etc, estará no meio deste processo. Tenha consciência que muitas decisões não tem apenas o peso puramente técnico. Elas tem a ver a cultura da empresa na qual a pessoa foi formada. É melhor você estar preparado.

Pena que não possamos ficar com esta preocupação olhando para a cidade de Cannes, na França, dentro de um iate como este acima.

Davi

Category: open-source, Oracle, SUN

NetBeans 6.5 Disponível para Download

Como já informado anteriormente neste blog a versão 6.5 do NetBeans IDE está disponível para download.

O resumo das funcionalidades deste excelente IDE está na figura abaixo (link: http://www.netbeans.org/features/index.html)

Category: JavaEE, open-source, PHP, SUN, Tools

NetBeans 6.5 está no forno!

Confesso que fiquei muito impressionado com esta versão do NetBeans (v. 6.5). De acordo com esta notícia do blog da SUN, o release candidate (RC) já está disponível para download.

    Acredite, se você é um programador Java, PHP, C/C++, Ruby, Groovy, vale a pena verificar as funcionalidades desta nova versão do IDE da SUN.

    Como todo RC, você sabe que é uma versão que pode apresentar instabilidade.

    Novas funcionalidades se você utiliza:

    São várias outras inovações que tem por objetivo disponibilizar uma IDE para editar desde um arquivo CSS até projetos gráficos em Java. No dia 20/Nov/08 a versão definitiva deverá ser liberada.

    Category: JavaEE, SUN