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IBM vai adotar internamente o Firefox como browser padrão

Mozila FirefoxQuem afirmou isto foi Bob Sutor, um dos principais executivos da “big blue” na área de Linux e Open-Source.

Em uma empresa com mais de 400,000 funcionários e colaboradores no mundo inteiro, você deve imaginar a variedade de browsers que eles utilizam. Então, entre tantas opções, veja abaixo os principais motivos que Sutor listou para definir que “o” browser da IBM será o Firefox:

- O Firefox utiliza a mesma estratégia-chave da IBM: compromisso e interoperabilidade através de padrões abertos

- É open-source e seu desenvolvimento é mantido pela comunidade, sem nenhuma ingerência de qualquer empresa

- É seguro e tem um roadmap definido

- É extensível e pode ser customizado para aplicações específicas e para empresas, como a IBM

- Está um passo à frente em muitas funcionalidades inovadoras e tem forçado os outros browsers a “correrem atrás do prejuízo”

Palavras do Mr. Sutor. Quer mais detalhes? Veja o post do seu blog.

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Cloud Computing: Open-source Cloud e a Ajuda da Microsoft

Este post traz duas boas notícias para o mundo da “Cloud Computing”. A primeira é o anúncio da empresa de soluções SOA open-source, WSo2, já citada várias vezes neste blog, e a outra vem da Microsoft e de sua plataforma de Cloud, Azure.
wso2cloud

WSo2 Lança sua Plataforma de “Cloud Computing”

Para quem não conhece, a WSo2 é uma companhia que desenvolve soluções para a arquitetura orientada a serviços (SOA) no modelo open-source. Tem escritório no longíquo Sri Lanka (terra natal do seu fundador) e nos EUA e Europa.

A plataforma de “Cloud Computing” que eles lançaram permite que as empresas criem sua própria “nuvem”, as chamadas “Private Clouds“, com um custo (direto) de software bastante reduzido.

A solução de Governance as a Service é um dos serviços já disponíveis para serem utilizados (veja restrições abaixo).

wso2gaas A idéia é que sua empresa possa fazer o setup de uma solução de Governança para o ambiente SOA (SOA Governance Registry) diretamente na “nuvem” da WSo2.

Veja o que é possível implementar:

- Armazenar services, WSDLs, Schemas e policies, facilitando a descoberta (discovery) dos serviços e suas restrições

- Gerenciar o ciclo de vida dos serviços
- Manter múltiplas versões dos serviços

- Acompanhar as dependências e associações entre os WSDLs e os Schemas

- Dar permissões apropriada para os usuários

As restrições para utilização são:

  • até 5 usuários
  • não mais do que 100 recursos armazenados
  • não mais do que 100 recursos acessados / dia
  • cada recurso pode ter, no máximo, 1 MB

E estão preparando o lançamento do 2o. produto: “Indentity as a Service”!

Importante: como informou esta notícia da InformationWeek USA, o WSO2 suporta o uso de seu produto como uma “Amazon Machine Image“, o formato de máquina virtual do EC2/Amazon Cloud. É compatível também com “VMware ESX Server virtual machine” e, claro, no open source Linux KVM virtual machine.

A Cloud da Microsoft, Azure, agora pode rodar “Ruby on Rails”

azureinterop

A notícia vem do blog da Mary-Jo Foley. No final de Novembro (25/11/2009) o arquiteto da Microsoft, Simon Davies, anunciou que já tinha um exemplo do “Ruby on Rails” rodando em uma “nuvem” do Microsoft Azure (veja aqui “ao vivo”).

Em um movimento acertado, a Microsoft tem feito um esforço para que sua “nuvem” tenha compatibilidade com vários produtos e soluções open-source. Alguns exemplos de “Azure compatible” são:

  • Ruby
  • PHP e ferramentas baseada no Eclipse
  • MySQL
  • MediaWiki
  • MemCached
  • Tomcat
  • SugarCRM tem sua versão para o Azure (!)

e claro, o seu “Service Bus and Access Control services”, antes conhecido como “.NET Services”, agora roda diretamente no Windows Azure e é chamado agora de “Windows Azure platform AppFabric Service” (nome nada fácil…). Mais detalhes aqui e aqui.

Como na discussão levantada no post da Mary-Jo, não imagino que exista motiva de desconfiança por trás desta iniciativa da Microsoft em suportar soluções open-source em sua “nuvem”.

No meu ponto de vista, não importa para o usuário, e até mesmo para o desenvolvedor, em que “nuvem” sua sua aplicação baseada no “Ruby on Rails” ou seu open-source SugarCRM, está sendo executado.

O que você acha?

O que é Google realmente quer com o seu Chrome OS?

O Google quer ou não quer dominar o mercado de sistemas operacionais?.

Um argumento contra é que se ele desejasse mesmo dominar este mercado, por exemplo, os engenheiros do Chrome OS teriam se preocupado com o mundo corporativo, que representa uma enorme parcela de usuários dos desktops/notebooks. Não tire suas conclusões agora. Veja o restante do texto.

O Chrome OS deverá ser lançado no segundo semestre de 2010, mas a agitação já começou desde o anúncio no meio deste ano de 2009. O equipamentos-alvo são os, cada vez mais populares, NetBooks, com processadores de baixo consumo de energia.

Tudo foi calculado para que este seja, de fato, o 1o. sistema operacional da era da “Cloud Computing”, em que o browser será o próprio sistema operacional.

A algum tempo já não dependo de muitos softwares presentes no meu iMac. Planilha eletrônica, processador de texto, agenda, calendário e todas as centenas de aplicações que a Web 2.0 trouxe.

Para completar, uma solução em que posso agregar meu documentos, notas, links sobre um determinado assunto: o Google Wave. Simplesmente fantástico. Hoje eu defino os assuntos do meu interesse, agrupo as minhas notas, PDFs, artigos, apresentações, vídeos etc, em “waves” no Google Wave. Desta forma, eu posso dar continuidade nas minhas pesquisas e trabalhos de qualquer lugar onde tenha um acesso a Internet.

Então, qual o propósito do Chrome OS?

Este artigo de Vijay Pandurangan dá uma pista da estratégia por trás do lançamento de um sistema operacional sem custo direto, 100% baseado na Web: a criação de melhores aplicações Web, 100% compatíveis com o HTML-5. Quem afirma isto é um ex-funcionário do Google, que trabalhou lá por 6 anos. Algum crédito ele tem.

A conclusão parece óbvia, de tão simples que é. Mas vamos tentar pensar estrategicamente.

Aqui vão meus R$ 0,10 de contribuição para esta discussão:

- Qual a missão do Google? Já escrevi isto é um post anterior (“SPDY (by Google) é o novo HTTP?“): Organizar toda a informação do mundo.

- A informação não pode estar nos “silos individuais” de informação que são nossos desktops, notebooks, netbooks e até mesmo celulares (lembram da estratégia de “dados nas nuvens” do Motorola Cliq?)

- A informação precisa – e acho que boa parte dela vai – “migrar” para a “nuvem”. As empresas que entenderam isto estão se dando bem (vide “Cloud na Amazon: US$ 220 Milhões/ano“)

- Quer outro exemplo: a Motorola acabou com todas as centenas de servidores Microsoft Exchange que ela utiliza no mundo inteiro. Os empregados chegaram pela manhã e o seu e-mail @motorola tinha sido migrado para o GMail! Veja porque tudo indica que Sanjay Jha vai mesmo revulocionar a Motorola (“A virada da Motorola(?) Qual foi o segredo?“)

- A estratégia do Google pode ter sido então: “vamos criar um ambiente livre, onde a dependência das ‘aplicações desktop’, que exigem um cliente em cada desktop, seja cada vez menor…

- Qual a melhor forma de atingir este objetivo? R- “Que tal um sistema operacional livre, leve, baseado em algo já estável e conhecido – Linux -, que forme uma imensa comunidade de desenvolvedores que irão construir ou migrar aplicações para este sistema operacional?

Isto, meu caro leitor, chama-se “Alinhamento Estratégico“. Leia novamente a missão do Google acima e veja como as ações são coerentes, alinhadas, não apenas esta do Chrome OS, mas de todas as soluções que eles desenvolvem.

E a Microsoft?

A Microsoft certamente vai se movimentar. Apesar de quase sempre chegar com algum atraso e de pouco contribuir com inovações, analistas de mercado já afirmam que o seu “Windows 7″ é o último “big bang” da gigante de Redmond. Espero mesmo que seja, e vejam como eles evoluiram. Diferente do “Windows Vista”, o Windows 7 é muito superior do que seus antecessores.

O ponto é: quando este momento chegar, qual empresa estará mais madura e apta a dominar o mercado de SOs? Vai fazer diferença qual sistema operacional você vai utilizar se grande parte das aplicações que utilizamos no dia-a-dia estarão na Web? Você vai pagar por uma caixinha com um DVD que vai instalar um browser no seu computador pessoal?

Abcs!

Plataforma aberta: é bom ou ruim?

A resposta parece óbvia: claro que é excelente ter uma arquitetura que, em algum momento, possa ser aberta para a comunidade. Um grupo de desenvolvedores independentes e empresas de todos os tamanhos irão convergir e desenvolver soluções a partir desta plataforma aberta.

A questão não é tão simples quanto parece. Este “canto da sereia” traz alguns perigos para os marujos de primeira viagem.

O caso dos “Extras” do Skype

Utilizo Skype desde as primeiras versões e hoje é somente através dele que realizo chamadas de longa distância. No Mac OS X a qualidade de voz é impressionante (assim como no Windows).

Em 11 de Setembro de 2009 quando o Skype anunciou o fim dos “Skype Extras”, muitos desenvolvedores e empresas ficaram preocupados.

Já participei de várias discussões com empresas que desenvolveram sua estratégia e seus produtos em torno da plataforma “aberta” do Skype. Imagine que você é um deles, você ficaria preocupado sabendo que seu produto depende da decisão de uma empresa que nem conhece você? Complicado, correto? Não existe “Plano B” nestas situações.

Pode até ser que o Skype esteja “fechando para balanço”, e talvez preparando o lançamento de algo melhor, como sugere este post do Techcrunch.com: ”Skype Says Next Generation Platform will Embrace Developers”.

A questão é: que mensagem a companhia passa quando informa que está descontinuando uma funcionalidade que permite integrar soluções de terceiros?

A API do Skype é free, bem documentada e, melhor, funciona muito bem. Adicionalmente não existem barreiras de entrada para começar a desenvolver, como mostra esta avaliação do Saunderslog.com. Isto sinaliza que a empresa está convidando uma imensa comunidade para se integrar e, de forma colaborativa, desenvolver produtos e serviços em que os dois lados ganham. É isto que o Google está tentando fazer com seu “Android”, foi isto que fizeram o Twitter, o Facebook, a Amazon etc.

Seria importante termos uma mensagem clara sobre as perspectivas (boas ou más) de desenvolvermos para esta excelente plataforma de comunicação.

O Caso do LinkedIn

linkedIN Depois de mais de 2 anos do anúncio de que iria  disponibilizar uma plataforma para terceiros, a exemplo do Facebook, Twitter etc, o LinkedIn anunciou nesta Segunda, 23/Nov, a sua “LinkedIn Developer Network“.

Excelente notícia certo? Quantas aplicações, corporativas ou não, redes sociais etc, poderão se beneficiar desta integração. As possibilidades são enormes.

Vejamos porém uma análise feita por Marshall KirkPatrick, do ReadWriteWeb e publicada no NYTimes.com.

De acordo com ele, a boa notícia é que…

  1. Não existe barreira de entrada. Ou seja, nada de taxas para pagar ou processo burocráticos… ….é obter a API Key e começar a desenvolver
  2. A API permite pesquisa. Você tem um contato, um e-mail e “bingo”, será possível fazer uma pesquisa na base do LinkedIn e localizar os dados profissionais do seu contato
  3. A API utiliza o OAuth, um protocolo aberto que disponibiliza um processo simples de autorização e, mais importante, padrão tanto para aplicações “desktops” como Web

… e as “bad news” são:

  1. Certamente irão iniciar as integrações com o Twitter. Concordo com o autor. Mensagens e comentários feitos no LinkedIn não tem o mesmo objetivo. O LinkedIn é para contatos e assuntos profissionais, o Twitter, bem o Twitter….
  2. Segundo o autor os termos do contrato ainda não estão claros. Exemplo: você não pode desenvolver nada que concorra com o LinkedIn…??? Complicado não?
  3. Tudo indica que o LinkedIn definiu seu próprio “Active Stream”, sinalizando que não seguirá o “padrão” utilizado pelo Facebook, MySpace, Netflix. Microformats?

E a Apple?

Existem outro excelente exemplo que é a SDK para desenvolvimento de aplicação para iPhone/iPod.

Este daria uma tese completa. É preciso receber a benção da Apple e, convenhamos, mesmo eu sendo um usuário e admirador, o processo de aprovação de uma aplicação não é, digamos, transparente.

(Aliás, o terrorismo que a empresa do Mr. Steve Jobs faz em relação a segredos de desenvolvimento é algo inimaginável. Você sabia que as equipes de hardware e de software trabalham separadas?  O conceito é semelhante a “células”, como os grupos terroristas. Parecem que esta estratégia, contra todos os manuais da gerência moderna, vem funcionando muito bem.)

Um artigo interessante, que defende a posição radical da Apple em relação ao seu SDK está em “Why Apple plays God with the iPhone SDK“. Outra excelente análise vem novamente Techcrunch.com, de Maio/2008: “iPhone SDK And Restrictions – Some of the Details are’nt Great“.

Bom, se fosse simples não seria a Apple, certo?

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SPDY (by Google) é o novo HTTP?

spdyGoogle Antes de falar no novo protocolo Web criado pelo Google, uma pergunta simples:

Você sabe qual a missão do Google?

R – Organizar toda informação do mundo

Pretensioso? Só o tempo poderá dizer, mas a turma do “do not be evil” (lema do Google) não pára de inovar. Desta vez ele criaram um novo protocolo que diminui a latência (atraso) no carregamento das páginas Web, melhorando sensivelmente a experiência de navegar na Internet.

O novo protocolo chama-se “SPDY” (em inglês pronuncia-se “speedy“, como aquele produto de uma operadora de telefonia… …só que este, ao contrário do outro, até agora funcionou sem panes).

E o que a turma do Google obteve em ganho de performance não foi pouco:

- Aumento de 64% no carregamento das páginas (testes em laboratório com os 25 websites mais visitados do mundo)

É um “HTPP Speedy Gonzales“!


É um substituto do HTTP?

Não. O Google faz questão de deixar isto bem claro. O SPDY é parte da iniciativa “Let’s Make the Web Faster“, que tem como objetivo aumentar a velocidade de carga das páginas em 50%.

Tanto o Web server quanto o browser precisam ser “SPDY enabled”. Claro, o Google já tem uma versão do Chrome que entende “SPDY” e vai lançar em breve (SIC) uma versão do “SPDY enabled” Web server  (claro que será open-source).

Segundo o draft do protocolo, pouca ou nenhuma mudança será feita nas aplicações Web (ufa!).

Qual o problema com o HTTP?

Nenhum, a questão que o HTTP não foi planejado para resolver problemas de latência. E as páginas dinâmicas e carregadas de conteúdo, flash, vídeos etc, em nada se compara àquelas de 10 anos atrás (veja a 1a. página Web).

Alguns dos problemas do HTTP:

  • Uma requisição por conexão. Um servidos aguarda 500 ms entre conexões para prevenir o reuso do canal TCP para requisições adicionais. Os browsers tem um “quebra-galho” para contornar esta limitação: aumentaram o números de conexões por domínio de 2 para 6
  • Apenas o lado cliente pode realizar uma solicitação (request). Mesmo quando o “server” sabe que seu “client” precisa daquele recurso, não há mecanismo de informar o cliente… …o servidor deve aguardar o request
  • Request/Response headers não “compactados”. Headers podem variar de 200 bytes até 2K, com 700 – boo bytes na média. Em conexões ADSL onde temos “upload link” bem mais lentos (menor banda), esta latência é relevante

E como o “SPDY” vai ajudar a contornar estes problemas?

  • Multiplexed requests. Em português, diferente do HTTP, não haverá limite de requests concorrentes em uma conexão “SPDY”.
  • Priorização de requests. Sonho de todo administrador de servidor Web. Isto evita problemas de congestionamento do canal TCP com requisições não prioritárias enquanto os requets mais importantes ficam “na fila”
  • Header compactados. Se uma página pode enviar de 50 a 100 subrequests, veja a quantidade de informação redundante e sem utilidade que trafega quando você solicita uma página

Onde está a mágica?

HTTP se baseia em múltiplas conexões para implementar concorrência. O resultado desta abordagem é uma sobrecarga no servidor e um trabalho extra no cliente para evitar esta situação (muitas conexões no servidor).

“SPDY” adiciona uma camada (framing layer) que faz a multiplexação de vários streams concorrentes através de uma única conexão TCP. E este layer é otimizado para o padrão request-response do nosso velho HTTP.

Google tem todos os motivos do mundo para deixar a Internet mundial mais rápida, sem necessidade de grandes mudanças além, é claro, de tentar “emplacar” um novo protocolo que pode (sim!) substituir o HTTP.

Repetindo a pergunta, pretensioso demais? Não sabemos. Agora, você gostaria que a sua nagevação fosse 64% mais rápida? Alguma dúvida?

Preocupação no Iate do CEO da Oracle

risingsun
(imagem cortesia do site MonacoYey.com)

O CEO da Oracle, Lawrence J. Ellison tem um iate cujo nome é “Rising Sun”. Não tem nenhuma relação com a empresa que ele comprou, a Sun Microsystems. O pequeno brinquedo do Mr. Ellison tem apenas 138 metros (vide foto acima, ancorado na costa francesa), e é neste barquinho que deve ter se ocorrido o diálogo abaixo:

[L.Ellison] – (falando para seus diretores) Vocês viram que a comissão antitruste da união européia quer barrar a compra da Sun?

[L.Ellison] – (continua…) Um absurdo! Tudo porque eles acham que, como somos os líderes no mercado de banco de dados, vamos descontinuar o banco de dados open-source da Sun, o MySQL… …Absurdo! Quem aqueles velhinhos europeus pensam que são?!

[L.Ellison] – (continua…) Paguei US$ 7,4 bilhões pela Sun, a comissão dos EUA já aprovou o negócio e agora vem estes representantes do velho mundo e não concordam…

[L.Ellison] – (pega seu copo de whisky, sai para pegar um pouco da brisa marítima e volta, gritando) Onde vocês estavam que deixaram isto acontecer?

O diálogo monólogo acima é fictício (apesar de poder ter facilmente ocorrido), mas ilustra um aspecto importante que muitos gestores esquecem: a cultura pode fazer faz toda diferença e foi o que pesou na decisão européia.

“É a cultura, estúpido!”

A famosa frase “It’s the economy, stupid!” foi utilizada pelo “marketeiro” do ex-presidente B.Clinton, James Carville, para convencer o povo americano a votar a favor de Clinton e tirar o partido do Bush (pai) da presidência dos EUA. Deu certo.

Da mesma forma, a única forma dos diretores da Oracle explicarem para o chefe o que levou a decisão da Europa barrar o processo de compra: “É a cultura, estúpido!”

Foi exatamente o que fez este excelente artigo do NYTimes.com.  A forma como o velho mundo pensa, a sua cultura de baixo risco, tudo isto são aspectos que explicam uma certa “birra” que leva a União Européia a barrar tantos negócios das megacorporações de software americanas. Os exemplos são a Intel e os casos recorrentes da Microsoft .

Como a Europa enxerga o mundo open-source?

Como uma tábua de salvação de sua indústria de software contra a dominação das gigantes americanas (exceção honrosa à alemã SAP).

Os europeus valorizam, muito mais do que os americanos, a competitividade que os produtos open-source trazem para o mercado. E mais, eles (europeus) são muito conservadores, menos avesso a riscos que os americanos (vide Hofstede e suas dimensões culturais).

Por conta disto, enquanto a comisão americana aprovou rapidamente o negócio da Oracle com a Sun, porque não existe nenhuma evidência que a empresa de Ellison vá descontinuar o MySQL, a comissão européia atua de forma preventiva: “pode ser que ocorra ou não, na dúvida, vamos barrar o processo”, pensaram os europeus.

Sem entender esta variável fica mais difícil explicar a recusa dos europeus em dar a “luz verde” na aquisição da Sun.

Qual a mensagem afinal?

Precisamos enxergar além dos nossos bits&bytes para entender o que ocorre em qualquer movimento de fusão, aquisição, consolidação do mercado.

A mensagem que eu quero passar é que se não entendermos este aspecto cultural, não vamos compreender certas atitudes das empresas onde trabalhamos ou negociamos. O caso da Oracle serve apenas para ilustrar o peso da cultura nas decisões estratégicas. Será que a Oracle avaliou esta variável antes de comprar a Sun?

Todo movimento de consolidação, fusão ou aquisição (vide Itau-Unibanco, Oi-BrT, Sadia-Perdigão, Banco do Brasil-Nossa Caixa etc), passa por uma grande discussão sobre arquitetura dos sistemas, como eles serão integrados.

Você como gestor de TI, analista de integração, arquiteto etc, estará no meio deste processo. Tenha consciência que muitas decisões não tem apenas o peso puramente técnico. Elas tem a ver a cultura da empresa na qual a pessoa foi formada. É melhor você estar preparado.

Pena que não possamos ficar com esta preocupação olhando para a cidade de Cannes, na França, dentro de um iate como este acima.

Davi

Category: open-source, Oracle, SUN

Bada: o sistema operacional para dispositivos móveis

bada Nokia Symbian, Research in Motion (RIM/Blackberry), Microsoft Windows Mobile, Palm OS, Linux, Mac OS X (iPhone), Google Android… …ainda existe espaço para mais um sistema operacional para dispositivos móveis?

A coreana Samsung acha que sim e acaba de lançar o Bada, definida como uma plataforma aberta (a exempo do Android), com a diferença que foi desenvolvida apenas para os celulares que ela produz.

Nas principais funcionalidades da nova plataforma, além de todo blá, blá, blá comercial de inovação, core extensível para desenvolvimento etc, me chamou a atenção a seguinte frase:

Samsung bada includes integrated support for service-oriented features to enable the development of connected applications…

Não sei se é mais uma jogada de marketing porque, infelizmente, eles não detalham exatamente o que vem a ser estas “service-oriented features“.

E como está o mercado de sistemas operacionais móveis?

De acordo com o Gartner, o Symbian da Nokia ainda lidera com vantagem, apesar da queda de participação no market share global em relação a 2007.

mobileOSmarketshare2008-SOASimples
(fonte: SOASimples a partir dos dados do Gartner)

Talvez o movimento de “abrir” o código do Symbian não seja suficiente para impedir a queda na participação global do sistema operacional da empresa finlandesa. O Web OS da Palm, o crescimento espantoso das vendas do iPhone e, principalmente, o surgimento do Google Android, indicam que o jogo vai ser pesado.

Ter ou não ter o seu próprio sistema operacional?

Em um aspecto a unidade de celulares da Samsung tem todos os motivos do mundo para ter seu próprio sistema operacional: a não dependência de terceiros no seu “core business”.

Foi o que fez a Nokia em 2008 ao comprar os 52% que ainda estavam nas mãos dos outros participantes do consórcio que desenvolveu o Symbian. Ela fez uma “conta de padeiro”: apenas em 2007 a gigante finlandesa pagou mais de US$ 250 milhões em taxas de licenciamento; investiu US$ 410 milhões e comprou todos os direitos do sistema operacional e ainda liberou a plataforma para os parceiros, aí incluido a Samsung.

Ter o próprio sistema operacional é um jogo arriscado e que depende da estratégia global da empresa. A companhia precisa ter dinheiro em caixa para investir pesado em R&D, precisa ter pessoal muito qualificado, precisa ter foco e definir qual é o seu negócio. Parece que a Samsung tem todos estes requisitos. Será que a Motorola deveria ter trilhado este caminho lá atrás? Fica a pergunta.

Outra vantagem, ainda não constatada, é que o Bada será uma plataforma aberta, com direito a application store (como a Nokia, Apple, RIM…). Todos ganham com desenvolvimento colaborativo, principalmente  a empresa que disponibiliza sua plataforma.

Por fim, vejam a evolução do market share de 2007 para 2008. Observem o crescimento do sistema operacional da Apple (+245,7%) e a queda da Nokia (-6,1%).

mobileOSmarketshare2007-2008-SOASimples

(fonte: SOASimples a partir dos dados do Gartner)

Category: open-source, vendors

SOA precisa ser cara?

opensourcesoa(fonte: Mike Davis, IT Toolbox)

Não ! Primeiramente é importante lembrar que não existe uma solução única, seja ela open-source ou não, que seja o “best of breed“, ou seja, felizmente sua empresa não precisa ficar “refém” de nenhum fornecedor.

Como já afirmei acima, mesmo as soluções open-source não são a solução para toda e qualquer iniciativa em direção a arquitetura orientada a serviços (SOA). Não existe a “bala de prata” e nem um fornecedor único que tenha a solução para todos os seus problemas, com um preço que você pode pagar.

A questão que apresento aqui é que existem alternativas que podem devem ser avaliadas.

O que eu sempre falava nos seminários sobre SOA é que a utilização de produtos open-source tem algumas vantagens. Algumas delas são:

  • Validação da arquitetura proposta: uma espécie de prova de conceito da macro-arquitetura proposta
  • Custo: solução de baixo custo antes de realizar grandes investimentos em soluções proprietárias
  • “Hands-on”: em geral é preciso “colocar a massa” para instalar os softwares… …não espere “Next->Next->Finish“… Isto permite que sua equipe conheça como as soluções funcionam de verdade

Algumas soluções opensource disponíveis

A lista a seguir apresenta algumas soluções open-source para auxilia-lo a adotar uma estratégia SOA:

Cases de Sucesso

logo-nespresso

Fornecedor de vendor machines de cafés, a empresa utilizou o Mule ESB para integrar sua central de voz (Nortel), seu ERP, seu sistema de controle de estoque etc. Case detalhado aqui

lazokytoyota2 Lakozy é uma subsidiária da Toyota na Índia, o case é da implantação de um workflow opensource para agilizar os processos internos – sem mais a utilização de formulários em papel – e algumas funcionalidades interessantes como integração com serviços de short message (SMS)

inep Órgão do Ministério da Educação do Brasil. O case detalhado aqui comenta a utilizacão de alguns produtos da JBoss/Red Hat: JBoss Enterprise Application Platform, JBoss Enterprise Portal Platform, JBoss Operations Network (JON) e JBoss Seam Framework

Como estes existem centenas de cases de sucesso.

Conclusão

A mensagem mais importante é que SOA é uma mudança de “estilo de vida”, de pensar em soluções como aplicações compostas, em serviços, padrões abertos, objetivos de negócio, com ganhos de longo prazo (que são os mais sustentáveis). Não ter orçamento para iniciar SOA é uma daquelas desculpas que damos quando queremos perder peso e não temos como pagar uma academia. Para a maioria de nós, se faz necessário pagar uma academia para perder peso ou basta mudar o estilo de vida? Responda você mesmo…

Implementar esta abordagem de arquitetura passa por :

  • Mudanças culturais: como gestor, arquiteto esta é uma tarefa sua; você precisa estudar, conhecer, evangelizar
  • Planejamento inicial: é necessario tempo para a construção da arquitetura de alto nível, da “big picture”. Porém é este “blueprint” que irá guiar todas as modificações propostas. Se necessário peça ajuda de terceiros mas, não esqueça de colocar a visão da sua empresa. Isto ninguém pode fazer, apenas você
  • “Quick Wins”:  para os mais crédulos, resultados práticos. A utilização da abordagem SOA+Metodologia Ágil pode ajudá-lo a conseguir resultados rápidos (viva o SCRUM!)
  • Prova de Conceito da sua Arquitetura: é neste ponto que soluções open source vão ajudar você; o investimento inicial é baixo, os ganhos de conhecimento para a sua equipe  ”não tem preço”… …o restante o Mastercard corporativo compra :-)
  • Padrões abertos:  lembre-se que sua solução open source pode ser substituída por middlewares proprietários – seja por questões de performance, missão crítica, volume a ser processado etc – utilizando padrões abertos de integração, Web Services, REST, sua migração para soluções fechadas será suave
  • Pensar Grande, começar pequeno: construa a “big picture”, inicie com resultados de curto prazo, faça uma análise de “Visibilidade da Solução X Tempo de Desenvolvimento”, divida em quatro quadrantes e escolha aqueles projetos com maior Visibilidade/Retorno e com menor tempo de desenvolvimento

Não deixe de aproveitar o feriado! Abraços,

Davi

Sua empresa investe mais em ERP ou nos funcionários?

Ninguém discute a necessidade e os benefícios de ERP (ou de um CRM) em uma  empresa, independente do tamanho dela. E hoje temos boas opções de ERP, inclusive “open source” (vide o case da CEAGESP e o exemplo do brasileiro Lite ERP que alega já ter mais de 3,000 clientes).

Um empresa que desenvolve software de “gerenciamento de talentos”, utilizado por grandes empresa (como a HP), levantou uma questão interessante: as companhias investem nos ERPs tanto quanto investem nos seus colaboradores?

A resposta é…

Não. E uma empresa mostrou alguns números que comprovam esta (triste) estatística.

A Taleo é uma empresa de origem canadense com sede em San Francisco, CA. Fundada em 1996, desde a sua origem desenvolve soluções para as áreas de recursos humanos. O seu produto Taleo v.10 foi lançado esta semana. De forma resumida, o Taleo  se propõe a “gerenciar os talentos” da sua empresa: gestão de RH, metas individuais, seleção e recrutamento etc.

Números

Por ocasião do lançamento da versão 10 do seu produto, a Taleo informa que:

  • em média, um trabalhador americano recebe cerca de US$47,000/ ano
  • em média, os custos com ERP chegam a US$12,000/ano/funcionário
  • porém, em média, quando se trata de gerenciar as pessoas o gasto médio cai para menos que US$ 10/ano/funcionário

No mínimo é uma informação para pensarmos por alguns segundos.

Desconheço dados do mercado brasileiro (gostaria muito de saber se existe estatística a este respeito), mas podemos assumir que por aqui não deve ser muito diferente.

A pergunta que não quer calar é: onde se encaixa o discurso “os funcionários são nosso maior ativo”?

Taxa de insucesso na implantação de ERP

Por último, mas não menos importante, em uma pesquisa feita lá em 2001, constatou-se que:

  • 51% das implementações de ERP não tiveram sucesso
  • 46% dos entrevistados não sabiam como tirar proveito do ERP para melhorar a performance da companhia

(crédito da foto: Don Hankins, fontes: ZDNet, RFPConnect )

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JBoss Libera HornetQ: open-source messaging system

Se você é familiar com os produtos da JBoss/Red Hat, já deve ter ouvido falar do JBoss Messaging (v 1.x). Como o nome diz é um middleware orientado a mensagens (ou MoM – Message-oriented Middleware), que era a solução de mensageria padrão do JBoss Enterprise Application Platform, JBoss SOA Platform e JBoss Application Server version 5.0.

O produto evoluiu e a versão 2.x ficou tão diferente do projeto original que eles decidiram dar um novo  nome para o produto: HornetQ.

Principais características

  • como o projeto original do qual é originado, o HornetQ é open-source (Apache v 2.0 licence)
  • roda em qualquer plataforma Java 5.x ou superior
  • suporta JMS 1.1 API, apesar de ter uma API de mensagens proprietárias (que a JBoss alega que tem uma performance superior)
  • provê sistema de mensagens persistentes com performance de MoM que trabalha com mensagens não persistentes (em memória)
  • pode ser integrado com o JBoss Application Server ou com com outro Java server/container
  • pode ser “empacotado”(embed) em sua própria aplicação (!)
  • opção de alta disponibilidade (server replication e client failover)
  • permite a criação de clusters (load balance, distribuição geográfica dos seus MoMs etc)
  • “core” do produto baseado em Plain Old Java Objects (POJO)
  • etc..

Arquitetura (high-level view)

Documentação

  • Guia rápido (PDF), recomendo!
  • Manual do Usuário (PDF)

MoM – Definição

Por fim, mas não menos importante, vamos a uma definição básica de um Message-oriented middleware (MOM).

Basicamente é uma solução de infraestrutura de software que recebe e envia mensagens. A arquitetura destas soluções tem um grande foco em questões relacionadadas a confiabilidade da entrega/envio das mensagens, interoperabilidade (“conversam” com vários protocolos) e portabilidade (ambientes altamente heterogêneos).

Na minha opinião, do ponto de vista de arquitetura de software, são soluções “elegantes” que reduzem a dependência e a complexidade das suas aplicações e/ou componentes. Como arquiteto(a), por exemplo, você não precisa se preocupar como uma mensagem vai sair do ambiente mainframe, ser persistida, transformada e roteada para, finalmente, ser entregue no formato de um SMS para seu cliente. Isto permite que você mantenha o foco no desenho, na arquitetura da solução, que é o mais importante.

Tudo indica que Mensageria será um dos elementos-chave em Cloud Computing. JBoss sabe disto e lançou o HornetQ com este objetivo ambicioso: ser o provedor de mensagens preferido no ambiente de cloud computing.

Boa sorte!