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SOA, RFID e bagagens despachadas nas empresas aéreas

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(fonte: SOASimples.com)

Alguns meses atrás, eu preparei a arquitetura simplificada acima para um trabalho no meu MBA no IBMEC São Paulo/INSPER. É apenas um exemplo de como uma arquitetura orientada a serviços (SOA) pode auxiliar em diversas aplicações de RFID. O objetivo foi apresentar uma solução para o rastreamento de cargas e bagagens aéreas utilizando tags RFID. Este tipo de solução já é utilizada em vários aeroportos e companhias aéreas no mundo. Veja um exemplo da United Airlines (Chicago, EUA) e da Air New Zealand (Nova Zelândia).

O Mercado mundial

A International Air Transport Association (IATA) estima que, por ano, as companhiam aéreas perdem US$ 3 a 4 bilhões/ano devido aos custos por extravio de bagagens. Em um cenário de pressão por redução de custos nas passagens, concorrência acirrada, reclamação dos clientes das longas filas nos balcões de check-in, eficiência operacional etc, fica claro que alguma ação precisa ser tomada para diminuir estes custos. É um investimento perdido e, pior, com “retorno negativo”, porque além dos problemas causados aos passageiros que tiveram sua bagagem extraviada, as empresas correm o risco de não ver nunca mais aquele passageiro em seus aviões.

Números, números…:

  • IATA estima que quase 33 milhões de malas são extraviadas todo ano
  • Este número representa algo próximo a 1.4% de todas as bagagens
  • Custo médio por bagagem extraviada: $100

A presão por redução de custos operacionais é tão grande que lá fora as empresas cobram de US$ 15 a US$ 100 adicionais simplesmente para despachar a bagagem dos seus clientes. Se esta moda pega por aqui…

Uma das soluções pode ser a utilização de RFID. Na minha opinião os custos iniciais podem até serem relativamente altos, porém os ganhos em eficiência, confiabilidade e até mesmo retenção de clientes são enormes. Você volta a utilizar os serviços de uma companhia aérea se, frequentemente, sua bagagem é extraviada? Pouco provável, certo?

Importante: não se trata apenas de imprimir tags RFID e colocar nas bagagens (sim, hoje temos impressoras que imprimem as etiquetas de RFID). Existe todo um ambiente de sistemas tais como ERP, CRM, despacho de bagagens, que precisam ser integrados e em tempo real.

As tecnologias e decisões de arquitetura para estas situações envolvem o uso de:

Não se assuste com a “sopa de letras” acima. Todas as tecnologias são correlatas, se complementam para a construção de um “meio-ambiente” que permita operar de forma eficiente uma solução baseada em eventos.

Investimentos: o case da Air Zealand

KioskRFID-AirZealand.jpg



A Air Zealand foi além do simples controle. Ela implantou kiosks (vide foto acima) onde os passageiros despacham suas bagagens devidamente identificada com tags RFID.

O investimento foi US$ 16.5 milhões. Com este valor a empresa:

  • instalou 112 kiosks como este e
  • mais 84 gate scanners que são os “leitores” de etiquetas dispostos em vários locais por onde é realizado o transporte e triagem das bagagens
  • tudo isto foi implantado em 26 aeroportos onde a empresa opera

Com isto ela foi a 1a. companhia aérea a oferecer RFID-enabled self-scanned check-in. Você prefere isto ou enfrentar a fila nos balcões? Isto influenciaria a escolha da sua companhia aérea? Quanto tempo você economizaria?

Como SOA ajuda

A questão central é o controle mais eficiente das bagagens e cargas, agilidade, integração dos vários sistemas, e uma grande redução de custos. Todos ganham no processo, a companhia aérea, a empresa que administra os aeroportos mas, principalmente, o cliente.

Existem middlewares utilizados em arquitetura SOA que são específicos para tratar centenas de milhares de eventos como estes gerados por etiquetas RFID. SOA é uma abordagem ideal para tratar de eventos complexos e integração de ambientes heterogêneos, com custo relativamente baixo, sem necessidade de reescrever o legado. Por tudo isto SOA é uma excelente escolha.

No próximo post vou tratar dos middlewares que são específicos para tratamento de CEP em uma arquitetura SOA. Não perca!

BI, SOA e Integração de Dados em Tempo Real

Uma discussão recorrente no mundo da arquitetura orientada a  serviços (SOA) é como o Business Intelligence (BI) se integra neste cenário e, no caso da empresa onde trabalho (operadora telecom), como disponibilizar dados em tempo real para o BI.

Antes de mais nada sabemos que o Business Intelligence não tem a premissa de tratar dados em tempo real. Utilizamos para consolidar dados de várias fontes, gerar gráficos e relatórios para os vários níveis da empresa (operacional, tático e estratégico), como um dashboard para os tomadores de decisão etc, mas quase nunca como uma ferramenta de análise de dados em real time.

BI

Falando em BI, em uma pesquisa realizada alguns anos atrás, mostrou os principais motivadores que levavam as empresas a adotar esta solução:

  • Aumentar a satisfação e a retenção de clientes: 62%
  • Dimunição de Custos: 53%
  • Aumento de Receita: 48%
  • Aumento de Lucratividade: 41%
  • Aumento de Market-share: 37%
  • Ferramenta de redirecionamento de produto: 30%

(fonte: http://www.information-management.com/issues/20040201/8034-1.html)

Análise de Dados em Tempo Real

Soluções do tipo BAM (Business Activity Monitoring), e mesmo os já conhecidos BI, podem demandar a apresentação de dados e gráficos de dados com uma latência menor. Alguns exemplos simples: vendas realizadas na última hora, ligações telefônicas completadas com sucesso nos últimos 45 minutos, lotes produzidos nas últimas 2 horas, transações com cartão de crédito no últimos 5 minutos etc.

Se o volume for considerável, milhões de transação no caso de uma operadora de telecom ou de cartão de crédito, é um desafio disponibilizar estas informações através do BI ou BAM. Não apenas estes dois mercados, mas todas as operações onde temos eventos em real-time que precisam ser capturados, correlacionados e apresentados para monitoramento em tempo real.

Estes cenários são típicos de Complex Event Processing (CEP) e Event-driven Architecture (EDA). Detalhes adicionais neste link.

Oracle e Integração de Dados em Tempo Real

Ontem (23/Jul/2009) a Oracle anunciou a compra da GoldenGate, uma empresa de San Francisco, Califórnia, que possui uma solução de integração de dados em tempo real. Veja a imagem abaixo que consta na apresentação oficial da Oracle:

Verifique que a solução da GoldenGate alega que extrai e disponibiliza os dados em “tempo real” para vários “consumidores”, entre eles: Message Bus típicos de arquitetura SOA/EDA e o que eles denominam “Operational BI“.

Veja uma arquitetura simplificada de onde como a solução da GoldenGate disponibiliza dados em tempo real para ferramentas de análise e BI:

A apresentação detalha ainda alguns cases de sucesso da implantação solução da empresa de San Francisco. Mesmo sendo um material com viés promocional de como os produtos da Oracle serão integrados com o da GoldenGate, a leitura vale a pena.

Rede Celular e o Controle do Tráfego

O projeto i-Way é um consórcio de várias empresas e governo da Europa que iniciou em 2006 com o objetivo de desenvolver um sistema multi-sensorial para monitorar as condições de tráfego, e até mesmo o comportamento do motorista e, desta forma, diminuir a ocorrência de colisões e desastres nas rodovias.

O sistema utiliza a rede de celular e de satélite como meio de comunicação e monitoramento em tempo real. Um exemplo: alguns sensores e câmeras instalados no veículo poderiam detectar o estado do motorista e alertar uma central de monitoramento; se ele está na pista correta; receber alerta (celular) sobre rodovias fechadas e condições de tráfego/congestionamento etc. Veja os benefícios esperados aqui.

(fonte: http://www.iway-project.eu/Architecture.aspx)

O custo total do projeto está estimado em € 4,6 milhões. Veja os módulos que vão no interior do veículo (in-vehicle subsystems):

The in-vehicle subsystem consists of the following modules which are located in the interior of the vehicles:
  1. The vehicle sensing module. It is responsible for the acquisition, processing and analysis of raw data coming from the on-board sensors.
  2. The data acquisition module. It is responsible for the aggregation, combination and correlation of acquired information provided by the vehicle sensing module and by external sources.
  3. The mobile interfaces of the vehicle. Through vocal and graphic interfaces drivers input and receive significant information regarding accurate traffic jam estimations, weather conditions, the road shape, speed and distance from a vehicle travelling ahead etc.
  4. The situation assessment module. its purpose is to provide estimation of the road situation based on prior knowledge and incoming transient information.
  5. The communication module which handles the real-time exchange of data among the vehicles with each other and between a specific vehicle and the Road Management system

CEP ou BEP? IBM quer criar novo termo

IBM deu mais um importante passo no seu portfólio de produtos de BPM e CEP (Complex Event Processing). Em Janeiro deste ano (2008) a empresa adquiriu a AptSoft.

AptSoft tem produtos que tratam processamento de eventos complexos e, de acordo com este comunicado, a sua tecnologia irá fortalecer os produtos de SOA e BPM da IBM.

“We welcome AptSoft into the IBM SOA portfolio and look forward to further extending our leadership position in the business events market. AptSoft enables customers to capture events as they happen with an intuitive user interface designed for business analysts,” said Tom Rosamilia, general manager, IBM WebSphere software. “AptSoft complements IBM’s SOA strategy and augments our business events capabilities to help our customers maximize their existing investments in SOA.”

Adicionalmente a big blue quer “renomear” o termo CEP, alterando-o para BEP (Business Event Processing).

Independente do termo, eu pessoalmente acredito que, à medida que vemos crescer a complexidade dos eventos, cedo ou tarde algumas empresas precisarão de uma solução que permita a união de CEP/BEP+SOA+EDA. Empresas de Telecom, da área Financeira, Saúde etc, são potenciais candidatas. Algumas delas já fazem uso destas soluções.

Se imaginarmos também o potencial do RFID, veremos que o tratamento e a correlação de eventos gerados por milhares (ou milhões) de dispositivos deste tipo vai mostrar porque esta combinação é necessária.

Como vocês podem ver temos várias possibilidades para esta “sopa de letrinhas” que é CEP+SOA+EDA.

Mais detalhes sobre este assunto nos blogs do Joe McKendrick  e do Mr. Dana Gardner, ambos no site da ZDNet.

( o cartoon deste post está publicado no site Geek&Poke)

Category: bpm, CEP SOA, SOA, Trends

Energia sob Demanda? Use SOA e BPM


(imagem extraida deste Case Study/IBM (TM))

Imagine o cenário de um “leilão reverso” descrito resumidamente abaixo:

- Você informa ao mercado fornecedor de energia elétrica quanto ($) você quer pagar pela energia

- Os fornecedores, conhecendo o quanto você precisa, informam por quanto ($) cada um deles pode te vender a energia

É o sonho de todo consumidor certo? Certo. Mas não é sonho, é realidade graças a SOA, BPM e alguns dispositivos desenvolvidos no Watson Research Labs da IBM.

O Desafio: em tempos de crise energética como esta, o Pacific Northwest National Laboratory (PNLL) queria demonstrar uma forma inovadora de racionalizar energia e, ao mesmo tempo, possibilitar economia para o consumidor final

A Solução: cientistas da IBM desenvolveram alguns dispositivos de controle de equipamentos e, utilizando SOA, BPM e Complex Event Processing, ajudaram o PNLL a criar um “mercado virtual” onde os consumidores informam quanto querem pagar pela energia.

Os benefícios são vários (leia com detalhes nos links abaixo). O mais importante é a visão inovadora que eles tiveram ao utilizar SOA e BPM para resolver um problema que, aparentemente, não tem muito a ver com integração, arquitetura, modelagem de processo de negócio… …as possibilidades de SOA tendem ao infinito!

Detalhes nestes dois artigos: Pacific Northwest National Laboratory aims to empower utility customers (by IBM), Event-driven SOA enables homes to purchase electricity (by SearchSOA.com)

(updated on 09/29/2010: adjusting to new link at IBM’s site)

Category: bpm, CEP SOA, SOA, vendors

SOA e CEP


Primeiramente vamos à algumas definições de CEP:

  • CEP é uma nova tecnologia vide esta definição (Stanford University)
  • CEP envolve a o processamento e análise contínua de um grande volume de dados para detectar situações críticas (relacionadas ao negócio) à medida que estes eventos ocorrem. Veja esta definição de uma artigo da IBM:

CEP involves the continuous processing and analysis of high volume, high-speed data streams from inside and outside an organization to detect business-critical issues as they happen. In comparison to traditional intelligence processes that provide delayed analysis, CEP software processes event data streams and drives resulting business events in real time. Specific application examples include:

  • Real-time financial market data analysis and enrichment to drive algorithmic trading, or capture trading data for regulatory compliance reporting
  • RFID and sensor network data correlation and processing for healthcare asset and patient tracking, or retail distribution chain replenishment
  • Real-time clickstream analysis for customer experience management, interactive personalization, and fraud detection

CEP engines provide infrastructure software that abstracts from the developer the low-level programming details of event processing. This is analogous to the way databases abstracted storage, indexing, and access functions for data management.

Desde 1991 trabalho na industria de Telecom. Mesmo em companhias de médio porte (Operadoras), lidamos diariamente com milhões e milhões de eventos (e.g. as chamadas telefônicas). Algumas ações precisam ser tomadas em tempo real (principamente questões relacionadas com a Engenharia da Rede e Billing).

Juntamente com SOA (interoperabilidade, agilidade, lingua “franca” para integrar sistemas), o CEP se encaixa perfeitamente na realidade das empresas de Telecom.

A infra-estrutura de uma arquitetura SOA é tudo que CEP precisa. Todas as mudanças de status, toda transição de estados entre os participantes de um arquitetura SOA podem ser monitorados através de ferramentas previstas em uma solução de uma service-oriented architecture. CEP adicional “inteligência” no topo disso tudo.

Veja um exemplo desta afirmação neste excelente artigo:

“You can set up CEP to alert you when three parts of the flow start to be longer than five minutes,” he explained. “So you’re adding real-time business intelligence on top of your SOA infrastructure. I think that’s the way CEP is a complement to what you’re doing with SOA. They are generating events from services and CEP is able to add intelligence on top of that. You can see how your business is running by putting a real-time dashboard on top of it.”

Category: CEP SOA